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    Plágio, com licença e desculpa de exercício para a aula final do professor Gabriel Perissé, do Curso de Formação de Escritores.

    (Peço, antes de mais nada, desculpas aos autores que plagiei tão desavergonhadamente, que denegri, revirei e ultrajei com esta versão pouco original e muito copiativa de suas memoráveis obras. Se me ouvirem do mundo onde estiverem, tomem este exercício como uma homenagem com boas e puras inteções, mas de caráter duvidável e talento criativo bastante discutível... Divertidíssimo no entando, ao menos para esta que vos escreve!)

     

    Estácio

     

    Foi no Pari, ao anoitecer, durante um jogo de sinuca. Disputava eu a final com um moço loiro que acabara de conhecer. Meu oponente gozava de grande vantagem. Aquela seria a última chance de resgatar o pouco nome que me restava. Mirei a esfera branca e, ao realizar a tacada, senti que a mesa estremecia. O rapaz a arrastara, sem dúvida! Fui ter com ele. Educadamente, o jovem de aparência refinada negou a acusação, o que me enfureceu a ponto de fazer o que ordena o impulso ao mau perdedor.

    –Seu covarde, ladrão!!!

    O rosto do moço transfigurou-se. Meu impropério causara reação ainda mais violenta no inimigo.

    –Você e eu!- disse ele despindo-se da luva de couro e apontando-me o dedo alvo como quem empunha uma espada-  Uma arma para cada um, na Viela da Desova!

    Diante da menção do local, eu não podia mais recuar. A famigerada viela era lugar afastado, morada de filhos inominados, escuro e propício para os duelos. Tratava-se agora de uma pendência de honra, que só se resolveria com sangue. Dele ou meu. Alguns dos outros freqüentadores tentaram intervir, mas éramos dois decididos por um final trágico para esta história.

    Antes do confronto derradeiro, passamos pela casa de meu desafiante. As pistolas que usaríamos seriam as dele. Ofereceu-me duas automáticas alemãs idênticas. Conforme me explicou, uma estava carregada, a outra não. Eu escolhi primeiro. Arrepiei-me ao sopesar a máuser. Leve demais, certamente descarregada, concluí. Ao mesmo tempo, aquilo me consolou. Estava pronto para me despedir da vida. Pronto como o caminhante poento que espera para deixar o tédio do deserto. Eu não tinha herdeiros. A ninguém sobraria o legado de minha miséria.

    - Caso algo me aconteça, pediu ele mostrando-me um anel, o senhor promete entregar esta jóia à minha mãe?

    Assenti diligentemente e ele o guardou consigo no bolso do casaco. Serviu-nos um conhaque. O último para um de nós. Bebemos.

    - Vamos?-perguntei ansioso.

    - Vamos.- respondeu-me com o belo rosto cheio de amargura.

    Flagrei-me exageradamente comovido com a figura do oponente. Que diabos aquilo? Eu, um possível assassino, apaixonando-me por outro homem? Aliás, Diadorim, chamava-se Diadorim, dissera-me ele ainda no bilhar.

    Partimos.

    Seguimos os três rumo à Desova. Não lhes disse, caros leitores, mas se juntara a nós outro homem. Virgílio seria nossa testemunha. Assim se fazem os enfrentamentos entre cavalheiros, com acompanhantes legais para a barbárie civilizada.

    - Abandonem as esperanças, perdidas gentes!- gritou-nos um bêbado maltrapilho na entrada da viela infernal.

    Caminhamos um pouco mais e paramos. Posicionamo-nos frente a frente. As pistolas encostadas nos peitos. Apertamos os gatilhos. Um único estampido ressoou e o moço loiro caiu estendido no chão. Aproximei-me dele, que com esforço me indicou o bolso, lembrando-me da promessa. Ao revistá-lo, deparei-me também com um bilhete de mulher. Ela marcava um encontro para aquela mesma noite e dizia que a porta da casa esperaria aberta. Perfumadas que soavam as letras, não consegui livrar-me da idéia de comparecer à entrevista no lugar do mancebo, que agora era proclamado morto por Virgílio. Olhei-o ainda uma última vez. Seria capaz de amá-lo se não o tivesse matado, foi o pensamento que me trespassou.

    Minutos mais tarde, usando por brincadeira o anel do defunto, entrava na casa de nº60 de um endereço qualquer. Delicado abraço puxou-me, às escuras, para o quarto. Cândidos lábios beijaram a jóia em meu dedo e se deram à minha boca vorazes como quem levanta, do primeiro amor, o último véu. A voz da menina aveludava-me, e sucumbi aos encantos da fada mesmo sem vê-la.

    Deixei-a adormecida e ao sair, defrontei-me com um punhal voltado para minha garganta. Pressenti novamente a morte, mas, embora não lhe definisse o rosto, a voz trêmula do agressor fez-me crer que podia vencê-lo. Brigamos como selvagens, resfolegando sobre o asfalto. Novamente fui eu quem sobreviveu ao embate. Para identificar meu agressor, que jazia morto por seu próprio punhal, carreguei-lhe o corpo até onde a luz tênue da rua acendia a calçada.

    Não sei como lhes contar o que vi sem lhes causar náuseas. Se puderem, não condenem este homem pelos eventos de uma única noite em sua vida. Não...minto! Pouco me importa já o que pensarem de mim. Fui eu quem morreu aquele dia.

    Iluminando as feições do rapaz, reconheci no infeliz com quem lutara, o filho das entranhas de minha mãe. Matara meu próprio irmão! Idéia ainda mais terrível assaltou-me. Queria ir ao quarto onde me separara da pequena amante, mas ela me observava, a poucos passos. Estava lívida. A camisola revelava parte do busto arfando descontroladamente, e a garota perdeu os sentidos. Só então entendi quem era. Tinha por nome Helena e era... minha irmã.



     Escrito por ovallejo às 23h57
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